Especial Audrey Hepburn: "Amor na Tarde"

Fotos: divulgação Billy Wilder Productions

 
Amor na Tarde (1957) é uma comédia romântica estrelada por Audrey Hepburn e Gary Cooper e dirigida por Billy Wilder. Depois de assistir a esse filme, eu diria que ele é muito mais comédia do que romance e, para provar o meu ponto, apresento este diálogo muito engraçado entre Ariane Chavasse (personagem de Audrey) e um oficial da polícia francesa (interpretado por Paul Bonifas*).

- Há um homem e uma mulher no Hotel Ritz, suíte 14. Ela tem marido e o marido tem uma arma bem grande! Às 22h, ele vai entrar lá e atirar!

- Por favor, madame, não fique nervosa. Ainda não são 22h. Às 22h, se ele entrar lá, se ele atirar e não errar,  ligue novamente.

- Mas será tarde demais. O senhor precisa detê-lo! Precisa mandar alguém prá lá imediatamente."

- Madame, há 7 mil hotéis em Paris, 220 mil quartos de hotel e, numa noite como essa, eu diria que em 40 mil desses quartos há uma situação semelhante. Se tivessemos que mandar policiais a todos esses quartos... Não, madame, seria impraticável. Nem mandando todos os policiais de Paris. Precisaria dos bombeiros, do departamento de águas e talvez dos escoteiros. E certamente, não queremos garotos que ainda usam calça curta envolvidos numa situação dessas.


E essa é apenas uma dentre as inúmeras falas bem construídas dessa produção.

Mas você pode estar se perguntando: Como Ariane sabia que um assassinato estava para ser cometido no Hotel Ritz? Bem, acontece que essa jovem é filha de Claude Chavasse (Maurice Chevalier), um detetive particular especializado em amores ilícitos, ou seja, adultérios. E um dos últimos trabalhos dele foi chamado de "O Caso de Madame X".

A tal Madame X (Lise Bourdin) é casada com Senhor X (John McGiver**) e está aproveitando a viagem do marido a Londres para curtir os lençóis do Ritz acompanhada do magnata e bon-vivant Frank Flannagan (Cooper). Desconfiado de que algo suspeito está acontecendo, Senhor X contrata Chavasse para seguir a esposa. Quando volta de Londres e recebe o dossiê completo sobre o affair da esposa, ele decide não só tirar o assunto a limpo com Flannagan como dar um tiro nele. Acontece que Ariane escutou toda a conversa entre o seu pai e o marido traído e, preocupada (e sem a ajuda da polícia), decide ir, ela mesma, ao hotel para avisar Flannagan do crime que está para acontecer.

Para encurtar essa divertida história, a jovem inexperiente se apaixonada pelo homem vivido e averso a compromisso. No entanto, nessa disputa entre gato e rato, se Frank tem um número sem fim de casos escandalosos no currículo, Ariane tem uma imaginação incrível e acesso aos arquivos do pai. Sendo assim, ao perceber que, se mostrar algum sentimento, Flannagan irá descartá-la imediatamente, ela decide baixar a guarda dele fingindo ter muita experiência com muitos homens e usa os casos investigados por Chavasse como inspiração: tem o caso do toureiro, do banqueiro, do chofer do banqueiro, do duque, do alpinista, etc, etc, etc.

Devíamos nos comportar sempre como pessoas esperando seus voos. (Flannagan)

Concordo plenamente. (Ariane)

Aos poucos, entre uma visita e outra do americano a Paris, e muitas tardes passadas juntos no Ritz (já que Ariane não pode encontrá-lo a noite, porque "mora com um homem"), a jovem vai envolvendo Frank com suas histórias também escandalosas. Um dia, inflamado de ciúmes e aborrecido por não saber nem o nome daquela misteriosa garota, o homem é aconselhado (adivinhe por quem? o Senhor X!) a procurar um detetive particular e descobrir tudo sobre a mulher que não sai mais da sua cabeça.

O resto desse romance e comédia ou comédia e romance, eu deixo para você conferir por si mesmo. Apesar das críticas americanas, na época do lançamento, por causa da diferença de idade entre Audrey e Gary, "Amor na Tarde" fez sucesso na Europa. Ainda bem! Porque esse é um filme, realmente, muito divertido e que vale a pena ser visto. Todos personagens têm a sua cota de falas divertidas, mas, o destaque mesmo fica por conta das que são ditas pelo detetive de Maurice Chavalier; imbatível!


Principais locações em Paris:

Rue Mallebranche, 17: endereço dos Chavasses. Nele, o detetive também recebe os seus preocupados clientes (na maioria das vezes, preocupados com razão).

The Ritz: Frank Flannagan se hospeda na suíte 14 todas a vezes que visita Paris. É nela onde, tarde após tarde, ele se encontra com a misteriosa garota que salvou a sua vida; e que, aparentemente, tem um currículo amoroso quase tão extenso quanto o dele (Place Vendôme, 15).

Opéra Garnier: local onde, durante a ópera de Tristão e Isolda, Frank e Ariane se reencontram, um ano depois do seu primeiro encontro no Ritz.

Gare de Lyon: estação onde Frank pega um trem rumo à Riviera Francesa e é acompanhado por Ariane.

Studios de Boulogne: local das cenas dos interiores do hotel, da casa dos Chavasses, da escola e de outros espaços.


👀 Curiosidades

- O figurino é um assunto a parte neste filme pois, praticamente, todas as roupas que Audrey veste em cena (assinadas por Givenchy) poderiam ser usadas hoje. 

Foto: divulgação Billy Wilder Productions

- The Gipsy Band, a banda que toca durante os encontros amorosos de Flannagan, sempre encerra a sua participação com "Fascination". Esta música data de 1904 e é de autoria de Fermo Danti Marchetti e Maurice de Féraudy.  No Brasil, ela ficou conhecida como "Fascinação", na voz de Eliz Regina.

- O roteiro nota 10 foi assinado por Billy Wilder e I.A.L. Diamond e baseado no livro "Ariane, jeune fille russe", escrito por Claude Anet.


* Paul Bonifas volta a trabalhar com Audrey no filme "Charada" (1963).

** John McGiver volta a trabalhar com Audrey em "Bonequinha de Luxo" (1961).


Saiba mais lendo o post Viajando com Audrey Hepburn - Paris



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