Especial Audrey Hepburn: "Como Roubar Um Milhão de Dólares"

 

(How to Steal a Million, 1966, direção de William Wyler)


"Como Roubar Um Milhão de Dólares" é uma comédia deliciosa, com uma química perfeita entre Audrey Hepburn e Peter O' Toole e diálogos afiados e divertidíssimos, esses criados por George Bradshaw e Harry Kurnitz para, praticamente, todos os personagens. Dito isso, vamos ao roteiro. 

Nicole Bonnet (Hepburn) é uma parisiense oriunda de uma família rica, que gosta de trabalhar para ganhar o seu próprio dinheiro e de fazer as coisas certas. No entanto, essa jovem de padrões morais elevados tem um pai politicamente incorreto, cujo comportamente causa-lhe muitas dores de cabeça. E por quê? Porque o Sr. Charles Bonnet (Hugh Griffith) especializou-se em falsificar obras de artes de mestres como Van Gogh, Renoir, Cézanne, dentre tantos outros nomes famosos, e de exibi-las para o mercado como sendo pinturas originais que estavam "perdidas" e foram adquiridas pela sua família, correndo, assim, altos riscos de ser desmascarado.
 
Um exemplo do comportamento do Sr. Bonnet é mostrado logo no início dessa história, quando ele deixa a filha de cabelo (super chique) em pé ao anunciar que emprestará a estátua de "Vênus" de sua coleção, atribuída ao artista italiano Benevutto Cellini (1500 - 1571), para uma exibição no Museu Kléber-Lafayette, algo que ele nunca tinha feito antes. O receio de Nicole é que, de alguma forma, a verdade de que a tal obra não passa de uma falsificação (afinal, ela foi feita pelo avô de Nicole, tendo a sua avó como modelo), venha à tona, expondo os Bonnets à vergonha pública.

A preocupação de Nicole logo se transforma em dois problemas bem concretos. Primeiro, sem que ela e seu pai saibam, um especialista em artes falsas é contratado por um merchand local para descobrir se a pintura de Van Gogh que o Sr. Bonnet exibe, orgulhosamente, em sua mansão é verdadeira. Esse profissional com um currículo altamente qualificado é Simon Dermott (O ' Toole), a quem Nicole toma por um ladrão, já que o conheceu na calada da noite, segurando o quadro em questão no meio da sua sala. Simon fica encantado pela jovem, mas não desfaz o mal-entendido. Percebendo que a obra que ele tinha em mãos é uma das falsificações de seu pai, Nicole decide deixar o "ladrão" sair livre de sua casa.


"Estava tudo breu e lá estava ele. Alto, olhos azuis, esbelto, bem atraente... no mau sentido da palavra. Papa, um homem terrível!" (Nicole contando ao pai sobre o assaltante que invadiu a casa deles).


O segundo problema é ainda mais sério. Inadvertidamente, o Sr. Bonnet assinou um documento autorizando o museu a fazer uma perícia na Vênus de Cellini para poder fazer um seguro dela no valor de US$ 1 milhão. Diante da possibilidade de ver seu inconsolado pai ser preso pela fraude artística, Nicole lembra-se do "ladrão" que invadiu sua casa e decide fazer uma proposta a Simon para, juntos, roubarem a estátua do museu e, com isso, ela evitar o escândalo que está por vir se não agir fora da lei essa única vez. 

Nicole não conta para Simon o motivo de querer roubar a obra de arte de sua própria família e Simon também não lhe conta que não é um ladrão de verdade. Interessado nela, ele acaba aceitando o desafio.

Nesse meio tempo, entra em cena um outro personagem importante nessa história: o magnata americano Davis Leland (o talentoso Eli Wallach no quarto filme de sua carreira), um colecionador de arte que deseja adquirir a Vênus de Cellini de qualquer forma, inclusive se aproximando de Nicole para tentar convencer o pai dela a vender-lhe a "preciosa" obra de arte.

Gente, esse filme é tão engraçado e inteligente que, a partir daqui, eu sugiro que vocês o assistam e desfrutem de alguns minutos de diversão pura. Por essa razão, vou parar de contar sobre os acontecimentos seguintes e o desfecho da história.


Principais locações:

- No início do filme, Nicole para seu carro na Pont de la Tournelle e escuta, pelo rádio, que o seu pai vendeu uma obra de sua coleção, atribuída a Van Gogh, por uma fortuna.

- A bela mansão dos Bonnets ficava na Rue Parmentier com o Boulevard Bineau; no entanto, ela foi demolida já há alguns anos (o que é uma pena!).

- Uma bela imagem da Champs Élysées é mostrada durante o percurso da Vênus de Cellini até o Museu Kléber-Lafayette.

- O Museu Kléber-Lafayette, onde a Vênus fica exposta ao público, foi ambientado no Musée Carnavalet-Histoire de Paris. (23 rue de Sévigné, com entrada pela rue des Francs-Bourgeois)

- Simon Dermott hospeda-se no luxuoso e legendário Hotel Ritz, localizado no número 15 da Place Vendôme.

- Davis Leland leva Nicole ao histórico Maxim' s (3, rue Royale), mas tem o jantar interrompido por uma ligação telefônica inventada por Simon, que quer falar a sós com Nicole sobre o Van Gogh do pai dela.

👀 Curiosidades

- Na noite em que Simon Dermott invade a mansão dos Bonnets, Nicole está em seu quarto, lendo um dos exemplares da Alfred Hitchcock Magazine. Essa publicação sobre mistério e suspense realmente existiu (e ainda é publicada) e foi usada para criar o clima para a cena seguinte, aquela em que a jovem confronta o falso ladrão na sala de sua casa.

- Neste filme, Audrey volta a trabalhar com William Wyler, o diretor que lançou a sua carreira em Hollywood, treze anos antes, com A Princesa e o Plebeu.

- Quer uma dica para responder a famosa pergunta feita em entrevistas de emprego "Me fale um pouco sobre você" (em inglês, "Tell me about yourself")? Então, imite Simon Dermott, quando ele explica para Nicole o que realmente faz.

"Eu sou um detetive particular, especializado em obras de arte roubadas e em rastrear, detectar e expor falsificações. Eu também sou uma autoridade em segurança de museus, sendo consultor especial para museus importantes em Londres, Nova Iorque, Chicago, Madri e, até mesmo, Leningrado. Sou formado em História da Arte e Química e tenho um diploma da London University com honra em Criminologia Avançada."

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👀 Opinião

- Pessoalmente, eu acho que os atores que mais combinaram como pares românticos de Audrey Hepburn foram, respectivamente, Peter O' Toole, neste filme, e George Peppard, em Bonequinha de Luxo (1961). Adorei a parceria dela com Gregory Peck, em A Princesa e o Plebeu, mas vi o ator mais como um amigo seu do que como par romântico.


Confira também Viajando com Audrey Hepburn - Paris.


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