Especial Audrey Hepburn: "Cinderela em Paris"

"Funny Face" (1957, direção de Stanley Donen e produção da Paramount)

 

Gata borralheira em Nova York

A editora-chefe da Quality Magazine, Maggie Prescott (Kay Thompson), está desesperada por ideias sobre como vestir a mulher americana, já que essa espera que ela lhe mostre isso na próxima edição da famosa revista de moda novaiorquina. De repente, a brilhante profissional tem um insight e decide que todas as mulheres do país (exceto ela) irão vestir-se de rosa, batizando a matéria de capa do mês de "Think Pink". 

Nem bem resolve um problema e Maggie já se vê diante de outro: encontrar um novo rosto para representar a revista e, por tabela, as suas leitoras. Neste ponto, ela recebe a ajuda do excelente fotógrafo Dick Avery (Fred Astaire), que vê na jovem vendedora de uma livraria de Greenwich Village, Jo Stockton (Audrey Hepburn), a candidata perfeita para ocupar essa posição, já que a garota, além de ser bonita, tem personalidade, vigor e inteligência.

Maggie conheceu a arredia Jo quando usou a livraria Embryo Concepts como locação para uma sessão de fotos. Por isso, não se convenceu, de imediato, sobre a jovem ser quem a revista precisava. Passada essa etapa, foi ainda mais difícil convencer uma intelectual do Village a ser o rosto de uma revista "fútil" de moda. No entanto, atraída pela ideia de viajar para Paris e conhecer o mestre do Empaticismo e seu ídolo, Emile Flostre (Michel Auclair), Jo decidiu que os fins justificavam os meios e aceita trabalhar para a Quality.


Cinderela intelectual em Paris

Meus amigos, vocês viram uma vira-lata, uma moleca, uma reles lagarta entrar. Mas abrimos o casulo e não é uma borboleta que emerge. Não! É uma ave do paraíso. (Paul Duval sobre Jo Stockton)

Na Cidade Luz, Jo é tratada, preparada e transformada "numa linda ave do paraíso" pela equipe do estilista de alta-costura Paul Duval (Robert Fleming). A partir de então, Maggie e Dick recebem a benção dele para fotografar e apresentar a bela ave usando sua nova coleção nas páginas da Quality.

Vestindo roupas bonitas, elegantes e de cortes atemporais, Jo é fotografada por Dick em lugares icônicos de Paris: na frente do Petit Trianon, numa plataforma da Gare du Nord, numa simpática loja de flores, na escadaria interna da Ópera de Paris, pescando nas águas do rio Sena e até no Museu do Louvre, numa das cenas mais lembradas do filme: ela usando um longo vermelho e imitando a imagem da Vitória de Samotrácia. A essa altura, com tanta interação entre modelo e fotógrafo, um já está apaixonado pelo outro.

Tudo vai bem no paraíso da moda até o momento em que Jo, finalmente, conhece Flostre; o homem cujas ideias ela segue de olhos fechados. O problema é que o tal filósofo fica mais interessado nela como mulher do que como discípula, fato que ela não enxerga de imediato, mas que não passa despercebido pelo atento Dick. Enciumado, o fotógrafo fala coisas que Jo não aceita e o tempo fecha para eles, afetando, consequentemente, o trabalho dela para a revista. Assim, no dia do grande desfile, a jovem não aparece no ateliê de Duval, deixando o estilista e a editora-chefe preocupados. 

Para fazer Jo cumprir sua parte no acordo, Maggie e Dick se disfarçam de intelectuais "com boas vibes" e vão procurar por ela na casa do tal mestre, em Montmartre, onde acontecerá uma noite de filosofia,  com poesia, música e meditação; um canto da sereia prazeroso para os ouvidos da jovem seguidora.

Quando Meggie e Dick chegam na Rue de l' Abreuvoir, nº 2, muitas coisas divertidas acontecem em cena, já que esse é um filme/musical de comédia também. No entanto, a dupla deixa a casa de Flostre sem conseguir arrancar Jo de lá. A garota só se dá conta dos interesses "carnais" do filósofo quando fica sozinha com ele. Mas, aí já é tarde, porque Dick se sentiu rejeitado por ela e decidiu pegar o primeiro voo para Nova York.

Jo retorna para a Avenue Montaigne. Enquanto ela apresenta a linda coleção de Duval para os clientes dele, Maggie tenta interceptar Dick no aeroporto. Porém, o fotógrafo não recebe a sua mensagem e entra na sala de embarque. 

O evento de moda é um sucesso total, menos para a bela modelo de rosto engraçado (funny face), que está arrependida pelas palavras duras ditas a Dick. Triste, tão logo o desfile termina, ela segue para o lugar onde, dias antes, foi feliz ao lado dele: o Chateau de la Reine Blanche, nos arredores de Paris.

Naturalmente, numa comédia romântica encabeçada por dois nomes fortes de Hollywood não seria surpresa (e nem spoiler) para ninguém dizer que, de alguma forma, Dick descobre que Jo rejeitou o professor e volta para os seus braços. Detalhe: cantando para ela e tirando-a para dançar, como um bom filme com Astaire, acompanhado da ex-bailarina Hepburn, tinha que ser.


👀 Curiosidades

Química: As personagens de Fred Astaire e Kay Thompson têm falas divertidíssimas em "Cinderela em Paris", principalmente, quando estão juntos em cena. No caso dele com Audrey, como ela interpreta um papel mais sério, o que faz a parceria deles funcionar são os momentos em que dançam juntos. É o encontro entre um dos melhores bailarinos do mundo do cinema com a ex-aluna do londrino Ballet Rambert.

Atemporal: O figurino usado por Audrey nas cenas parisienses foi assinado pelo estilista e amigo dela, Hubert de Givenchy. E, apesar desse filme ter sido lançado em 1957, cada peça mostrada nele poderia ser vestida em pleno século XXI sem causar nenhum problema na imagem de quem fizer isso.

Melhor Canção: Uma das músicas mais encantadoras desse filme é He loves and she loves, de autoria de George Gershwin; um dos músicos preferidos de Woody Allen (que também usou a canção em Manhattan, de 1979).


Saiba mais lendo o post Viajando com Audrey Hepburn - Paris


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