Especial Audrey Hepburn: "Guerra e Paz"

 


Audrey Hepburn, Peter Fonda e Mel Ferrer encabeçam o elenco da grandiosa produção cinematográfica Guerra e Paz, lançada em 1956, dirigida por King Vidor e baseada na obra prima homônima do escritor russo Liev Tolstói. Essa história foi ambientada entre os anos de 1805 e 1813 e segue os passos de Natasha Rostova (Hepburn), Pierre Bezukhov (Fonda) e Andrei Bolkonsky (Ferrer), membros de famílias aristocráticas russas que tiveram as suas vidas impactadas e mudadas quando Napoleão Bonaparte e seus soldados invadiram o país e tomaram Moscou no ano de 1812.


Parte 1 - A paz antes da guerra

"No início do século 19, uma sombra se movia através da Europa. Essa sombra era impulsionada pela voz de um homem, Napoleão Bonaparte. Apenas a Rússia e a Inglaterra conseguiram resistir. Na Rússia, o tempo estava claro, o sol estava brilhando. Napoleão estava a 1600 km dali e as ruas de Moscou eram ótimas para desfiles."

A história começa mostrando o príncipe Rostov (Barry Jones) assistindo a um desfile dos soldados russos do alto da janela de sua bela mansão, em Moscou. Ao lado dele está o amigo íntimo da família, Pierre Bezukhov. Rostov está encantado com a beleza do desfile; Pierre, por sua vez, estudou na França e admira Bonaparte, chegando a dizer que ele é um líder inovador e o maior de todos. Nesse instante, a filha do principe, Natasha também aparece na janela.

"Não é lindo? Se eu fosse um homem, estaria ali, montada num cavalo negro e brandindo uma espada. É muito injusto. Os homens são os únicos que podem se divertir."

Esta frase, dita por Natasha, dá uma noção do perfil dela, antes da guerra napoleônica: uma jovem sonhadora, alegre e que gostaria de poder fazer coisas grandiosas, só permitidas aos homens do seu tempo, como participar de guerras, algo que ela imaginava ser 'divertido' (*). Os pais dela, o principe a condessa Rostov (ela, Lea Seidel), são pessoas alegres e otimistas em relação a tudo e só não são indiferentes no que diz respeito à guerra porque o filho mais velho deles, Nikolai (Jeremy Brett), é um soldado do exército russo e o filho caçula, Petya (Sean Barrett), deseja seguir o mesmo rumo, espontaneamente e contra a vontade dos pais.

Querido pelos Rostov, especialmente por Natasha, Pierre é filho único e ilegítimo de um conde muito rico, que só o reconhece como tal minutos antes de morrer. Homem de bom coração, Pierre está desiludido tanto com o pensamento retrógrado dos russos como com a existência da guerra e decide não seguir a carreira militar. Ao invés disso, ele fica na capital e acaba caindo nas garras da bela Helene Kuragina (Anita Ekberg), mulher de comportamento leviano e interessada apenas na herança dele.

O terceiro elo desta história é o melhor amigo de Pierre, o príncipe Andrei; um homem sério, mas que não aceitou o fato de estar casado com uma das mulheres mais belas do país e não amá-la. Diante disso, quando os conflitos começam a se espalhar pela Aústria, ele prefere deixar a esposa grávida na propriedade rural de sua família para unir-se ao Exército russo em defesa dos austríacos. A esposa pede que ele não a abandone, mas Andrei parte sem olhar para trás.


Parte 2 - Tempos de conflitos e batalhas

Além dos problemas domésticos e amorosos dos principais personagens do filme, o outro assunto relevante dessa história, obviamente, é a guerra; principalmente, as estratégias (e a aparente falta delas) do alto escalão do exército russo, comandado por Marshal Kutuzov (Oscar Homolka). De sua parte, Napoleão Bonaparte (Herbert Lomm) se mostra irredutível em fazer qualquer tipo de acordo proposto pelo czar Alexandre I e segue com o seu plano de "invadir para conquistar" (**) o país, se instalando em Moscou.

Como sabemos, a Rússia é o maior país do mundo. Sendo assim, passa-se muito tempo até que o Napoleão consiga chegar em sua capital. Enquanto isso não acontece, muito sangue é derramado e problemas e mais problemas vão surgindo nos caminhos de Andrei, Pierre e Natasha. 

Andrei volta ferido da Batalha de Austerlitz a tempo de testemunhar a morte de sua esposa em trabalho de parto. Triste por sua atitude mesquinha para com ela, ele decide isolar-se no campo e curtir a sua dor. E assim fica por dois longos anos.

Pierre descobre a infidelidade da esposa e tira essa história a limpo num duelo com o Capital Dolokhov (Helmut Dantine). Apesar de nunca ter dado um tiro na vida, ele, desastradamente, acerta Dolokhov, mas este sobrevive e vai fazer o que sabe de melhor: duelar na guerra contra os franceses.

Quanto a Natasha, Pierre a apresenta a Andrei, ambos se encantam um pelo outro e ficam noivos. No entanto, por causa da diferença de idade entre os dois, o pai de Andrei (Wilfrid Lawson) pede que o filho espere um ano antes de se casar com a moça. Nesse intervalo, um tratado de paz está para ser discutido na Prússia e Andrei precisa reassumir a sua posição militar. 

Natasha fica em Moscou sonhando com a volta do noivo até o dia em que o soldado Anatole (Vittorio Gassman) cruza o seu caminho. Tal como sua irmã, Helene, Anatole é belo, mas vulgar, e quer apenas divertir-se com Natasha. A jovem se apaixona perdidamente e só não foge com ele porque Sonya (May Britt), sua prima e melhor amiga, pede ajuda a Pierre e, juntos, impedem que o pior aconteça. Mas a notícia sobre o envolvimento de Natasha com o soldado chega aos ouvidos de Andrei, que termina o compromisso com a jovem, deixando-a com o coração cheio de culpa e em pedaços.


Parte 3 - Moscou: chegadas, partidas e retornos

Uma história contada num livro de mais de 1200 páginas não pode ser resumida, de forma justa, num post desse blog. Por isso e para não estragar o prazer de quem ainda vai ver o filme, vou dar apenas uma ideia do que acontece com a guerra e com os nossos protagonistas. 

Por se tratar de um tema histórico, a invasão da Rússia, em 1812, não é segredo para ninguém desde que passou a fazer parte dos assuntos discutidos em salas de aulas do mundo inteiro. Basicamente, Bonaparte chegou em Moscou em 14 de setembro daquele ano, mas encontrou a cidade vazia e queimada pelos próprios moradores. Claro que os Rostov também não ficaram em casa para dar as boas-vindas ao invasor e tomaram o rumo do Norte do país. No sentido inverso, Pierre decidiu permanecer na capital e acabou virando prisioneiro de guerra. Quanto a Andrei, esse foi gravemente ferido em batalha e enviado para curar-se (ou para morrer) bem longe do front.

Mas, calma. A História (e essa história) não acaba assim. Muita água ainda vai correr pelos rios russos antes do desfecho da guerra, em particular, pelas águas do rio Berezina. Isso significa que o Exército francês vai descobrir, tarde demais, o valor que existe em se conhecer bem um território gigante e de temperaturas extremas antes de se aventurar por ele. Por essa falha estratégica, Napoleão e seus homens recebem uma boa lição dos locais, compostos tanto por soldados como por milicianos.

Quanto aos três protagonistas, de uma forma ou de outra, eles acabarão se reencontrando; todos transformados pelas duras lições de vida que receberam ao longo de um percurso pontuado por um pouco de tudo: sangue e dores; amizade e amores.


Minha sugestão

Assista a essa versão made in Hollywood, com 3 horas e 28 minutos de duração, e descubra como as coisas se resolvem para Andrei, Natasha e Pierre. E se você for do tipo que gosta de um bom desafio, saiba que também existe um Guerra e Paz made in Rússia

Lançada uma década depois da americana, a produção russa teve como objetivo ser ainda mais fiel à obra de Tolstói. Ela foi dirigida por Sergey Bondarchuk (que também atuou no papel de Pierre) e foi finalizada com - apenas - 6 horas e 33 minutos de duração! (***)

Pessoalmente, achei as duas produções espetaculares!


👀 Curiosidades

O amigo do amigo: Se na ficção, Audrey/Natasha e Mel/Andrei foram apresentados pelo amigo em comum, Pierre; na vida real, os atores foram apresentados por Gregory Peck, durante a pré-estreia londrina de A Princesa e o Plebeu, em 1953. Anos depois, respondendo a uma pergunta sobre esse assunto, Peck disse que falou para o amigo Ferrer: "Você precisa conhecer a garota do meu filme".

Curto prazo: Audrey e Mel conheceram-se em agosto de 1953, casaram-se em setembro de 1954, começaram a filmar Guerra e Paz em julho de 1955, e o filme foi lançado em agosto de 1956.

Moscou? Não. Roma! As imagens externas de Moscou (e as muitas imagens internas) foram rodadas nos estúdios da Cinecittá, em Roma. Logo, logo, publicarei um post aqui sobre esse lugar de sonhos e que eu tive a oportunidade de conhecer através do tour Cinecittà si Mostra.

🎦Comentários

(*) Fiquei imaginando o quanto deve ter sido difícil para Audrey, uma das tantas vítimas da II Guerra Mundial, ter que dizer essa fala nessa cena de Guerra e Paz. 😟

(**) Eu poderia ter dito "dividir para conquistar", mas esse não é o caso aqui. 😄

(***) Se desejar, confira o post do blog Cinema sem Pipoca, de autoria de Marco Antônio Ribeiro de Castro, com detalhes sobre a versão russa do filme.


Saiba mais lendo o post Viajando com Audrey Hepburn - Roma


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