"A Arte de Viajar" de Alain de Botton

"A Arte de Viajar", de Alain de Botton (Intrínseca)


Por Fran Mateus

Se você é uma daquelas pessoas que ama profundamente desbravar o mundo e viver um pouco de outras realidades, é quase certo que irá gostar de ler "A Arte de Viajar", de Alain de Botton. E o motivo é simples: com sua escrita agradável e reflexiva, o autor narra os prazeres e desprazeres das viagens modernas, comparando-as àquelas feitas pelo escritor Charles Baudelaire (1821-1867) e os pintores Van Gogh (1853-1890) e Edward Hopper (1882-1967). Adicionalmente, ele inclui pensamentos sobre a sua experiência como viajante, iguais ao transcrito a seguir, que passou pela sua cabeça durante uma caminhada por Amsterdã:

Numa rua com prédios uniformes, parei diante de uma porta vermelha e senti um desejo intenso de passar o resto da minha vida ali. Lá em cima, no segundo andar, eu podia ver um apartamento com três janelas amplas e sem cortinas. As paredes eram brancas e decoradas com um único quadro, grande e coberto de pequenos pontos azuis e vermelhos. Havia uma escrivaninha de carvalho junto a uma parede, uma grande estante de livros e uma poltrona. Eu queria a vida que esse espaço implicava. Eu queria uma bicicleta. Eu queria abrir a porta vermelha com a minha chave todas as noites. Eu queria postar-me junto à janela sem cortinas ao anoitecer, contemplando um apartamento idêntico do outro lado da rua, e saborear uma erwentsoep met roggebrood em spek (sopa de ervilha com toucinho e pão centeio), antes de me recolher para ler na cama num quarto branco com lençóis brancos."

Esse é um tipo de trecho que fica guardado na mente de quem o absorve. No meu caso, por eu ter me identificado com ele e querer viver o mesmo tipo de experiência, trocando Amsterdã por Londres. "Quem nunca?"

Como você já deve ter percebido, "A Arte de Viajar" é uma fonte de prazer e conhecimento num formato diferente: ele é menos um guia de viagem tradicional e mais um convite a reflexão sobre como rodar o mundo priorizando a qualidade desse ato. A quantidade de lugares visitados não interessa ao autor, como também não interessou aos mestres que o inspiraram. Recomendo-o como uma boa opção de leitura para se iniciar o mês de junho/2019.





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