Uma Aventura na Martinica


Dizem que o escritor Ernest Hemingway considerava seu romance "Ter e Não Ter", escrito enquanto ele vivia em Key West, Flórida, o seu trabalho menos expressivo. Um dia, o diretor Howard Hanks lhe disse que podia fazer algo interessante do texto 'ruim'. Assim nasceu Uma Aventura na Martinica (To Have and Have Not), que já começou com problemas. Por questões políticas, a ilha de Cuba - que, no livro, é o principal lugar onde a trama se passa - não pode ser referenciada no filme. Então, a história do capitão americano, dono de um barco muito disputado em águas caribenhas, foi transferida para Martinica. Esta, por sua vez, foi 'criada' no estúdio 28 da Warner Brothers Burbank Studios, em Burbank, na Califórnia.








Fotos: Divulgação
Os roteiristas Jules Furthman e William Faukner 'transformaram' o romance de Hemingway. Muito se criticou que o filme pouco tem em comum com o livro. Eu concordo parcialmente. Na tela, vemos as referências principais à obra escrita: o capitão Harry Morgan (interpretado por Humphrey Bogart) é o principal personagem da trama; temos a história do turista americano que pescou dias seguidos e não pagou Morgan pelo uso do barco; lá está a briga entre oficiais e rebeldes políticos (um pouco diferente do livro, mas continua lá); e, para manter-se próxima da obra do 'Papa', temos o pedido à Morgan de que ele transporte rebeldes para longe dali. Mas, é só. Full stop. O resto da trama surgiu da criatividade dos roteiristas para deixar a obra audiovisual mais atraente ao público. E não é que o cinema, sem querer, acabou conseguindo isso? O maior trunfo do filme, lançado em 1944, foi mostrar ao mundo o início do romance entre Bogart (casado, na época) e Lauren Bacall (atriz iniciante), que interpretou a misteriosa e sedutora Marie 'Slim' Browning. Ou seja, o sucesso foi mais baseado em fatos reais, do que na trama. E pensar que tudo que a jovem queria era fogo (cena que entrou para a história do cinema).


Além dos dois protagonistas, gostei de rever Marcio Dalio no papel do "Francês", dono do hotel onde tudo acontece (é a segunda vez que o vejo num filme inspirado na obra de Hemingway. A primeira vez foi em "O Sol Também se Levanta"). Sobre o filme ser mais interessante que o livro, é mais uma questão de gosto pessoal. Para alguns, "Uma Aventura na Martinica" é melhor: seja porque ele remete muito a "Casablanca" (partes da trama, o ator principal, um lugar onde todo mundo se encontra e tem um pianista, etc) ou porque ficou associado a um romance real entre os protagonistas, que perdurou por anos. Para outros, acostumados à tramas de Hemingway, com aqueles finais mais realistas que românticos, o melhor mesmo seria continuar lendo as obras do 'Papa' e esquecer as suas adaptações para a tela. Assim, minha sugestão é que você assista o filme, leia o livro e tire suas conclusões. A missão difícil, mas é muito agradável, também!

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