A Lebre com Olhos de Âmbar


Hoje, eu finalizei uma viagem nostalgica, familiar e histórica, em que pude acompanhar o escritor Edmund De Waal, num tour por Odessa, Paris, Viena, Tóquio e Londres, através do seu livro A Lebre com Olhos de Âmbar (The Hare with Amber Eyes). Filho de mãe austríaca, pai holandês e pertencente a uma família de judeus, De Waal herdou uma coleção composta por 264 netsuquês de seu tio-avô, Ignace Ephrussi (Iggie), e decidiu conhecer a história daquelas pequenas obras-de-arte japonesas, que atravessaram gerações na sua família e, agora, estavam consigo. A principal questão era saber por onde passaram todos aqueles minúsculos objetos até chegarem - intactos - nas suas mãos?

Para tal empreitada, Edmund fez uma revisita a história dos seus antepassados, a partir do ano de 1850 e início em Odessa, na Rússia. Ele desbravou passos do patriarca do clã, Charles Joachim Ephrussi, e de seus descendentes, estes espalhados por toda Europa. Com o destino dos netsuquês em mente, De Waal apresenta ao leitor um ponto de vista novo sobre como viviam os judeus antes e durante as duas grandes guerras mundiais, e o que aconteceu com as fortunas dos que sobreviveram aos campos de concentração tão logo a triste Era dos extermínios foi encerrada. É História com 'H' maiúsculo! 

Os netsuquês conseguiram ficar intactos durante todos os anos atribulados pelos quais passaram os membros da família Ephrussi e, entre idas e vindas, atravessaram as fronteiras de 4 países: 

França: a coleção japonesa foi iniciada no ano de 1871 por Charles Ephrussi (neto do primeiro Charles) e primo de Viktor Ephrussi, bisavô de Edmund. Charles era um afortunado habitante do Hôtel Ephrussi, na rue de Monceau, em Paris. Na ocasião, colecionar relíquias japonesas era considerado de bom gosto entre a sociedade francesa.

Áustria: em 1899, Charles resolve dar as suas pequenas obras-de-arte como presente de casamento a Viktor, residente do Palais Ephrussi, localizado na esquina da Ringstrasse com a Schottengasse, em Viena. Ali a coleção permanece até o ano de 1938, quando Elizabeth, avó de Edmund, recebe-os de Anna, uma antiga criada de sua mãe. Elizabeth leva os pequeninos para a Inglaterra e entrega-os aos cuidados do irmão Ignace.
Nota: Anna era austríaca mas, apegada a família Ephrussi, ela conseguiu esconder - netsuquês por netsuquês - dos olhares dos nazistas que ocuparam a residência dos patrões judeus.

Japão: Iggie leva os netsuquês de volta para ‘casa’ no ano de 1947. Ali eles permanecem até 2009, quando passam para as mãos de Edmund.
Atualmente, as aventureiras miniaturas artesanais encontram-se em Londres, na Inglaterra. Depois de 2 anos perambulando por Europa e Ásia, pesquisando o passado de sua valiosa coleção - e de sua família - De Waal voltou a realizar o seu amado trabalho de Ceramista e ao convívio da esposa e três filhos. Um deles vai herdar os netsuquês do pai e dará continuidade a essa emocionante jornada histórica.

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