Especial Hemingway: "O sol também se levanta" (I)


Início da década de 1920. Era o tempo dos cabogramas, dos fiacres e de uma Paris repleta de expatriados americanos em busca de custo baixo e uma vida regada a bebidas, festas e literatura. Como disse Jake Barnes: “Éramos parte daquela espetacular geração perdida de jovens, que continuavam a viver, como se estivessem para morrer”.


É sobre um grupo de amigos expatriados, daquela geração formada no pós-guerra - e que, por isso mesmo, apreciava o fato de estarem vivos antes de tudo - que lemos em “O sol também se levanta”, primeiro romance de Ernest Hemingway, lançado em 1926.
Na trama, Jake é um jornalista baseado em Paris, que mora na Margem Esquerda do Sena, e trabalha do outro lado do rio, na avenida da Ópera, número 49. Ferido na guerra, ele ama a inglesa Brett Ashley, é correspondido, mas não pode ficar com ela. Acontece que Lady Ashley é uma mulher bela, volúvel e apreciadora voraz dos prazeres da carne. Mesmo comprometida com o escocês Mick Campbell, ela se envolve em aventuras amorosas com o lutador de boxe e amigo de Jake, Robert Cohn, e com um toureiro mais jovem, Pedro Romero, que conhece durante as festividades para San Femín. Jack é um ‘aficionado’ pelas touradas e costuma passar os seus verões na Espanha. Naquele ano (apontado como 1922, no filme), ele e seu amigo escritor, o americano Bill Gorton, seguidos por Brett, Mike e Robert, desembarcam em Pamplona para sete dias de emoções intensas.


O livro de Hemingway foi transformado em filme e, no Brasil, recebeu o título de “E agora brilha o sol” (original: The sun also rises). Com direção de Henry King e roteiro de Peter Viertel, o filme foi lançado em 1957 (31 anos depois da publicação impressa) e contou com os atores: Tyrone Power (Jack Barnes), Ava Gardner (Brett Ashley), Errol Flynn (Mike Campbell), Mel Ferrer (Robert Cohn) e Eddie Albert (Bill Gorton), representando os papéis principais.

Se a leitura é mandatória para termos um contato direto com o famoso ‘estilo simples, direto, de frases curtas e poucos adjetivos’ de Hemingway, o filme é essencial para viajarmos – visualmente - pelos lugares citados pelo autor, especialmente, por Pamplona, durante os sete dias da ‘Fiesta’.

Os cenários de “O sol também se levanta” são Paris e Bayonne, na França; e Burguette, Pamplona, San Sebastian e Madri, na Espanha.
O ponto alto desta primeira parte da postagem será o balneário de San Sebastián, um lugar para ver e ser visto na costa basca.
San Sebastián foi o destino escolhido por Jack Barnes para descansar da Fiesta. A ideia era colocar a leitura em dia, tomar banhos de mar e frequentar o Café Marinas, em busca de música e bebidas. Foi, também, no badalado balneário espanhol, que Brett teve um affair com Robert Cohn antes de encontrar-se com Mike.


Situada a 92 km de Bilbao e a 21km da fronteira da França, San Sebastián (ou Donostia, em basco) é a versão espanhola da Biarritz francesa. Point de veraneio da moda, o lugar é frequentado por ricos e famosos locais e estrangeiros. Tudo começou em 1866, quando a Rainha Regente, Maria Cristina, construiu ali a sua residência de verão. Desde então, a cidade mantem boa parte de sua arquitetura de virada do século, intacta.

Eventos famosos: a Tamborrada, em janeiro, é a festa em homenagem a São Sebastião, padroeiro da cidade; o Festival de Jazz, em julho; e, o Festival de Cinema, realizado em setembro.

Imperdível: tomar banhos de mar na famosa praia La Concha; sacar fotos da bela vista da cidade desde o Monte Igueldo; apreciar a bela decoração da Igreja Santa Maria e conhecer o Castillo de la Motta, no Monte Urgill; tomar um bom café na Almeda de Calvo Sotelo e fazer compras no Paseo de Muelle. San Sebastián também é conhecida pela sua excelente cozinha, desde a alta gastronomia (Arzak, Martin Berasategui, Akelarre e Mugaritz são alguns dos restaurantes estrelados da cidade, com cotações no Michelin e sites no final desta postagem) até o delicioso ato de beslicar peticos em botequins do centro histórico.

Com tanta coisa para fazer e apreciar em San Sebastián, dá para entender porque Hemingway mandou seus personagens dar umas voltas por lá.
Rio Iratí, Burguette, Navarra

Burguette é uma cidadezinha de casas brancas e telhados vermelhos, próxima de Roncesvalles. Lá, Jack e Bill hospedaram-se numa estalagem e foram pescar trutas no rio Iratí. Durante as noites, os amigos jogarambridge acompanhados de um inglês chamado Harry. Ficaram cinco dias por lá antes de seguirem para as festividades de San Fermín, em Pamplona.


Em Bayonne, Jack passou pouco tempo e sempre de passagem. Esteve lá antes de seguir para Burguette, e depois de deixar Pamplona. Hospedou-se no Hotel Panier Fleuri, colocou a correspondência em dia, leu Turguéniev e jantou no restaurante do hotel, onde apreciou um bom vinho Château-Margaux.

O passeio por Madri durou apenas um dia. O nosso herói foi resgatar a sua querida Brett, hospedada no Hotel Montana. Ele desceu na Estação Norte e tomou um taxi até o hotel. O carro passou pela Puerta del Sol, antes de tomar a Carrera San Jerónimo. Do Montana, Jack e Brett seguiram para o Palace Hotel, onde tomaram martinis no bar e almoçaram no restaurante Botín. Na despedida de Madri, o taxi passou pela Gran Vía.
Cidade de Madri, com a Gran Vía ao fundo.

A Paris de "O sol..." é a mesma do livro “Paris é uma festa” e será homenageada na postagem que encerrará esta série especial, no próximo dia 21 de julho.

Pamplona será o palco de mais uma Fiesta de San Fermín, com início na próxima sexta, dia 06 de julho: data ideal para conhecermos mais sobre a cidade, numa clara homenagem a afición de Hemingway pelas touradas e finalizarmos as postagens sobre “O sol também se levanta”.
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Além do livro de Hemingway, outras fontes foram usadas para consulta:
  • 1000 lugares para se conhecer antes de morrer, de Patrícia Schultz.
  • Destinos de sonhos – 101 viagens inesquecíveis, da Editora Abril.
  • 501 must-visit cities, da Bounty Books.
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Especial "Hemingway": leia mais em A vida de Ernest Hemingway

Comentários

  1. Muito bom Fran. Este blog também é cultura!

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  2. Fran, encontrei o PDF do livro "Por quem os sinos dobram". Depois,caso queira, passo prá você também, e prá quem quiser claro! Abç:)

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