"Hemingway e seus contos"

Marco Antonio R. de Castro (*)

Ernest Hemingway tornou-se um escritor famoso e festejado em todo mundo por seus romances e novelas. Os seus inúmeros contos já não são tão conhecidos, festejados e comentados. Se bem que, hoje em dia, há quem prefira a concisão dos seus contos, o que eu, pessoalmente, penso ser uma bobagem. No entanto, alguns contos alcançaram grande fama, mas poucos sabem que eram contos e não romances.

Por exemplo: ‘As neves do Kilimanjaro’ é um conto que foi filmado, com Gregory Peck e Ava Gardner nos papéis principais. Mas, o filme tem um erro crasso: ao final dá a ideia errada sobre o destino do caçador. Mais não digo para não estragar o prazer de quem for ler essa pequena obra-prima; outro texto famoso, que muitos desconhecem ser um conto, é ‘Os pistoleiros’, que foi levado à tela com uma atuação magnífica de Burt Lancaster – foi sua estreia como ator-, dirigido por Robert Siodmak e chamado ‘The killers’.
O próprio Hemingway escreveu um texto escolhendo os seus contos favoritos, são eles:

·         A vida breve e feliz de Francis Macomber;

·         Colinas parecendo elefantes brancos (excepcional);

·         As neves do Kilimanjaro;

·         Um lugar limpo e bem iluminado;

·         A luz do mundo (ele dizia que apenas ele gostava deste conto...).


Eu acrescento outros que o tempo mostrou serem grandes obras, como:

·         Os pistoleiros;

·         Os renitentes (sobre toureiros fracassados);

·         Véspera de batalha;

·         Gato na chuva;

·         Velho na ponte;

·         Episódio africano (um menino se põe no lugar das feras caçadas).

Enfim, ‘papa’ Hemingway foi um escritor que confundia a sua obra com a própria vida. Muitos dos seus textos são relatos de passagens daquilo que ele viveu e sofreu. Para ele, escrever algo era fácil e simples, bastava “ir aonde se deve ir, fazendo o que se tem de fazer, observando o que há para ser observado, qualquer um encontra e identifica material e instrumental para escrever uma história”.

A respeito da famosa frase “Paris é uma festa”, diga-se, ele escreveu algo diferente e não está em nenhum de seus escritos famosos. Numa carta a um amigo, em 1950, escreveu ele: “se você teve a sorte de viver em paris, quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque paris é uma festa móvel (a moveable feast”).


(*) Marco Castro é admirador de bons filmes, boas leituras e tem Ernest Hemingway como um de seus escritores favoritos. Ele também é o idealizador dos encontros mensais do grupo Cinema Sem Pipoca.

Comentários

  1. Muito bom, belas homenagens a Hemingway e ao meu pai!!! Obrigado Fran.

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  2. Adorei Fran!!!
    Bela homenagem e bela exposição no nosso amigo Marco.
    Precisamos nos encontrar, curtir um cinema, tomar um bom café e quem sabe combinar uma viagem. Beijos Aldair

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  3. Celo, Aldair, legal vocês terem passado por aqui e deixado o comentário. Eu achei o texto do Marco ótimo! Temos que combinar uma pizza com o grupo. Bjs! Fran

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