Eu, Montevideo, Café e "Whisky II"

Foram 2 dias muito bem aproveitados!

Cumpri uma agradável promessa feita a mim mesma: comemorei meu aniversário em Montevideo, um lugar que eu tinha muita vontade de conhecer já há algum tempo.

Fui recompensada. A cidade estava ensolarada, não choveu até o momento do meu retorno, a população local estava presente e me recebeu muito bem, como era de se esperar de uma nação acostumada a frequentar as melhores posições do ranking mundial de índice educacional.



Apaixonada por cinema, levei na memória as imagens de "Whisky", que assisti em março deste ano. Quem viu o filme, deve ter se perguntado sobre o que aconteceu a Marta (interpretada por Mirella Pascual) quando, na cena final, ela não aparece para trabalhar. Relembrando o enredo, Marta atendeu a um pedido do seu chefe, Jacobo (Andrés Pazos), e fingiu ser a sua esposa enquanto o irmão dele, Herman (Jorge Boloni), se encontrava em Montevideo para participar do matzeiva da mãe.  A experiência daqueles dias marcou a vida de Marta de forma irreversível a ponto de, depois de 20 anos de serviços prestados na fábrica de meias de Jacobo, ela simplesmente desaparecer. Para mim, ficou claro que Marta passou a esperar mais da vida e retornar ao seu velho mundo era incompatível com esse seu novo desejo.


Reza a lenda que se uma mulher colocar um cadeado nesta fonte, ela retorna com o homem que ama à Montevideo.
Decidi aproveitar a minha viagem a Montevideo para criar um novo destino para Marta, dando uma continuação mais digna, feliz e esperançosa à sua rotineira existência. Na minha sequência para "Whisky", Marta gasta um pouco da sua pequena poupança e segue para Buenos Aires, a cidade vizinha cujo idioma permite que ela se sinta mais segura em sua primeira viagem ao desconhecido. Na capital portenha, Marta consegue um emprego de vendedora numa lojinha de artesanos e decide ficar algum tempo por lá, hospedada na casa simples de uma tia idosa.

Este parque parece um cenário inglês. Lindo!
No entanto, as lembranças a perseguem. Marta não consegue esquecer do quanto falou para Herman sobre Foz do Iguaçu, seu suposto destino de lua-de-mel com Jacobo. Assim, depois de 6 anos vividos em Buenos Aires, a nossa inquieta personagem resolve visitar a cidade brasileira, numa excursão de ônibus indicada por algumas colegas de trabalho. Com o sonho realizado de conhecer o Brasil, nossa heroina decide que é hora de voltar para sua terra natal.

O Palácio Salvo: belíssimo!
De regresso a Montevideo, Marta descobre que Jacobo falecera (o que, realmente, aconteceu ao ator Andrés Pazos, impossibilitando uma continuidade da história com ele) e que Herman havia fechado a fábrica de meias. Triste por imaginar como poderia ter sido a sua vida com Jacobo, se ele fosse menos cabeça-dura ("a vida é feita de ocasiões perdidas" - não lembro quem é o autor) Marta decide aproveitar os seus conhecimentos obtidos na loja de artesanos do centro de Buenos Aires, para conseguir um emprego de vendedora em alguma tienda de artigos turísticos, existentes na Ciudad Vieja.

Nossa heroina acha prudente relembrar a história de Montevideo para: (a) melhorar as suas chances de ser contratada; (b) tirar as dúvidas dos inúmeros turístas brasileiros que chegam a cidade todo fim de semana; e, (c) aumentar os seus precários rendimentos com algumas gorjetas, why not? Satisfeita com tão estratégica decisão, Marta procurou por "Un paseo por mi Ciudad", de Zunilda Borsani, um livro infantil, fácil e agradável de ser lido.

Contente com o que leu, ela decidiu repetir o tour pela Ciudad Vieja, feito pela avó e seus 2 netinhos, personagens principais do livro. Como Marta achou uma delícia aquele passeio! Ficara tanto tempo em Buenos Aires que quase havia esquecido do quanto agradável, bela e limpa era a sua cidade. Curiosamente, algo que a surpreendeu foram os carros, pois só agora, com um novo olhar, ela percebia o quanto eles eram antigos. E, o que poderia ser considerado como sinal de que Montevideo havia parado no tempo, foi encarado por Marta como algo que dava uma personalidade singular a sua cidade. E ela gostou da sensação de saudosismo que tal pensamento lhe causou...

Carros antigos, comuns por toda a cidade: 'vieja' e 'nueva'
O dia estava ensolarado, mas fazia um pouco de frio. Após o passeio, Marta resolveu, então, descansar de sua redescoberta à Montevideo se aquecendo com um cafe con leche no Cafe Paponita, localizado na Avenida 18 de Julio, um hábito de seus tempos antigos de supervisora de fábrica de meias que ela não estava disposta a abdicar.

Um jeito diferente de se apreciar um café: num copo longo. Aqui, estou no Cafe Paponita.
Para nossa corajosa heroina, os momentos felizes eram compostos de boas recordações do passado aliados à vontade constante de querer evoluir e viver coisas novas: um desejo que nasceu em 2004 (ano em que Whisky foi apresentado em Cannes) e que estava perpetuado nessa nova mulher que Marta havia se tornado. Lembrou-se de uma frase que leu na vitrine de uma livraria,  em Foz do Iguaçu, de uma escritora chamada Cecília Meirelles: "A vida só é possível, reinventada"...


...E esse passou a ser o lema da nossa heróina desde então.


Comentários

  1. Adorei a ideia de continuar a história. Quem nunca terminou um livro e imaginou como seria a continuação? Quem nunca ficou chateado com o final de um filme?

    A decisão de conhecer Washington, nos EUA, veio tanto dos maravilhosos museus como de vários filmes e séries ambientadas na cidade.

    Sei que estou devendo uma descrição mais detalhada.

    bjs
    Ederli

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  2. Maravilhosa a história, parabéns pela viagem.

    Bjs.
    Sheila

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