"A Rosa Púrpura do Cairo"

A Rosa Púrpura do Cairo” é uma declaração de amor ao cinema, e um dos filmes mais sensíveis e belos já produzidos! Nele, Cecília (Mia Farrow) é uma garçonete sonhadora que encontra no mundo encantado do cinema uma oportunidade de escapar do seu nada glorioso dia-a-dia, vivido ao lado de um marido beberrão e mulherengo (Danny Aiello), e numa New Jersey assolada pela Grande Depressão da década de 1930.  Um dia, entra em cartaz, na cidade, “A Rosa Púrpura do Cairo” (The Purple Rose of Cairo). Cecília gosta tanto do filme que chega a assisti-lo cinco vezes, a ponto de chamar para si a atenção do personagem Tom Baxter (Jeff Daniels), que sai da tela para conhecê-la.



A fantástica situação leva até New Jersey o ator que interpreta Tom, Gil Shepherd (também interpretado por Daniels), que precisa devolver o seu personagem à tela para não comprometer a sua carreira em Hollywood. Ambos ficam encantados por Cecília que, da noite para o dia, se vê entre dois homens maravilhosos declarando-se para ela. Quem a jovem heroina deve escolher?


Quem assistiu ao filme, desejou muito um final feliz para a terna heroína. Para entender o  seu final, leia as palavras de Woody Allen sobre sua obra de arte:

“A Cecília precisava decidir entre escolher a pessoal real, o que era um passo à frente para ela. Infelizmente, nós temos que escolher a realidade, mas no fim ela nos esmaga e decepciona. Minha visão da realidade é que ela sempre foi um lugar triste para estar, mas é o único lugar onde você consegue comida chinesa". Dolorido, mas verdadeiro.

Num filme tão belo como este, os cenários não podem ficar em segundo plano.



“Maquiamos um quarteirão inteiro e construímos o lado de fora do cinema. Construímos todas as nossas fachadas naquele quarteirão. O interior era um cinema de verdade... Era o Kent Theater [no Brooklyn], que foi muito importante para mim na minha infância, porque era, como a gente sempre dizia, o último reduto”. 
Ou seja, aquele subúrbio pobre, visto na tela, nada mais era do que um quarteirão montado, que segue a linha de imagem industrial que New Jersey projeta para o mundo.

Fotos: divulgação

Woody Allen confessou ter sido influenciado pela obra de Federico Fellini para realizar “A Rosa...”:
“Quando eu estava fazendo A rosa púrpura do Cairo lembro de ter sido influenciado por Amarcord*. Lembro da imagem de uma cidade com um cinema e personagens maiores do que a vida. Queria este tipo de sensação para o filme, nostálgica, melancólica”.
Se você ama cinema, mas ainda não teve o privilégio de assistir “A rosa púrpura do Cairo”, por favor, faça isso. As chances são grandes de que você vai adorar a experiência!


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*A propósito, o filme de Fellini, de 1973, que se passa numa pequena cidade italiana dos anos 30, será o tema da minha próxima postagem. 

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Fonte principal de consulta: “Conversas com Woody Allen”, de Eric Lax.

Comentários

  1. Esse é um dos meus filmes prediletos. A cena final, com ela escolhendo a realidade, mas ao mesmo tempo se deixando seduzir pelo cinema de Fred Astaire, é emocionante e uma das mais belas que já vi. Me lembra também o final de Noite de Cabíria, também do Fellini. Estou adorando esse espaço pra ficar falando desses filmes maravilhosos, valeu pelo post. Abs.

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  2. CSP para este filme? Ou só nós mesmos? Fiquei interessado, passei a gostar de Allen depois de Matchpoint, vai se entender minha cabeça!!

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    1. Marcelo, podemos falar com seu pai e o grupo e fazer um Cinema Sem Pipoca com a Rosa Púrpura sim... Depois de "O Poderoso Chefão" - rs!!! Estou muito curiosa para conhecer as 4 páginas que Marco escreveu sobre o primeiro filme do padrinho. Abçs.

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  3. Fabio, neste li que usei como pesquisa, o entrevistador perguntou ao Allen o motivo dele ter dado o final que deu para Cecilia, depois dela sofrer tanto. Ele deu uma resposta muito bacana: com um final mais feliz, o filme seria apenas trivial. É o final que ele deu que o torna tão especial. Realmente, ela voltando a sonhar, assistindo Fred Astaire, foi muito belo! Eu ainda não vi Noite de Cabiria, do Fellini, mas estou interessada na filmografia dele. Quem sabe breve eu não escrevo aqui? Abçs.

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