Ernest Hemingway, um escritor americano em Paris



Há exatos 113 anos, nascia Ernest Hemingway. Americano de Illinois, ele foi um homem que viveu intensamente, fazendo o que mais gostava. Viajou pela América, Europa e África, bebeu de tudo, divertiu-se em pescarias e nas touradas espanholas, apostou em cavalos e morou aonde quis ou teve oportunidade: Havana, Key West, Paris... Casou-se quatro vezes e teve três filhos.
Escritor corajoso, ele abandonou o Jornalismo para dedicar-se a Literatura. Valeu o esforço. Entre os seus melhores romances estão O Sol Também se Levanta, Adeus às Armas e O Velho e o Mar. Ganhou muitos prêmios, sendo o Nobel da Literatura o mais importante de todos.

Nos anos de 1921 até 1927, Hemingway viveu em Paris. Ouso dizer que, com o livro autobiográfico, Paris é uma Festa, ele projetou a Cidade Luz como um destino de sonho. Endereços plebeus como a Rue Mouffetard, a Place de Contrescarpe e a Rue Cardinal Lemoine, e outros mais elegantes como a Rue de Fleurus e os Jardins de Luxembourg passaram a integrar o imaginário dos leitores-turistas deliciados com o savoir vivre do Papa. Se antes a capital francesa já tinha um apelo intelectual, depois de Tatie e a trupe que Gertrude Stein chamou de Geração Perdida (Fitzgerald, Pound, Joice...), a sua Margem Esquerda do Sena entrou, definitivamente, para a lista dos lugares que todos querem conhecer em algum momento da vida.
"La Rue Mouffertard, Paris"
de Maxilimien Luce (1858 - 1941)

Paris é uma Festa foi o primeiro livro de Hemingway que li. O estilo de escrita não lembrava muito os demais livros conhecidos depois, mas a história de Ernest se confunde com a de seu primeiro personagem principal de romance, Jake Barnes, de O Sol Também se Levanta. Ambos visitaram os mesmos lugares, moraram nas mesmas ruas, frequentaram os mesmos restaurantes e beberam nos mesmos cafés (Select, Dome, Rotonde...).
Rue Cardinal Lemoine, onde moraram
Hemingway e sua esposa, Hardley, e 
Jake Barnes (O Sol Também de Levanta)

Na minha visita a cidade, dois lugares que conheci foram influenciados pela aura de encantamento deixada por Hemingway: o café Closerie de Lilas e a livraria Shakespeare and Company. O 'Papa' tinha paixão pelos dois. No Closerie (Boulevard de Montparnasse), ele deliciava-se com cafés-crème, enquanto escrevia O Sol Também se Levanta, e na Shakespeare (na época, localizada na Rue de L´Odeon), ele alimentava a sua mente com obras de Dostoievski (O jogador e outros contos) e Turgueniev (Histórias de um caçador), dentre muitos outros.

Shakespeare & Co original, nos tempos de James Joyce, Sylvia Beach
e Hemingway, na rue de L´Odeon, 12, próxima dos Jardins de Luxemburgo.

Shakespeare & Co atual, na rue Bucherie, 37

"Place de la Contrescarpe"
de André Renoux (1939 - 2002)
Julho tem sido um mês delicioso para este blog. A vida e principais obras de Hemingway ganharam um destaque todo especial.  Fiz algumas leituras e releituras dos livros deles e pude assistir aos filmes baseados na sua obra, alguns deles, eu desconhecia existirem. Tudo isso para o meu prazer e para o prazer de quem também aprecia o 'Papa'.

Hemingway em sua fase parisiense, um período de
pouco dinheiro, mas muita baladação e literatura.

Para encerrar esta série de postagens em homenagem a aquele que considero um dos mais brilhantes escritores de todos os tempos, uma frase sua, para inspirar a reserva de uma mesa no Closerie:

“Aí ele me perguntou por que eu frequentava o Lilas
e lhe contei algumas histórias dos bons tempos.
Scott se interessou e ficamos por ali batendo papo,
eu apreciando o Lilas e ele tentando apreciar.”

21/07/1899 - 02/07/1961
Saiba mais sobre Ernest Hemingway:
  • No cinema, a melhor e mais recente opção é o filme de Woody Allen, "Meia Noite em Paris". Um pouco da vida de Hemingway é apresentada pelo belo ator Corey Stoll.


  • Nas livrarias, recomendo o livro "E foram todos para Paris", do jornalista Sergio Augusto. Além de Ernest Hemingway, tem-se uma ideia geral da Paris de toda a Geração Perdida.


Comentários

  1. Fran,eu nunca tinha lido Hemingway,mas influenciada por esta séire de posts li este mês "Paris é uma Festa".Foi minha viagem de férias,seu blog e o livro.Adorei!O próximo será "O Sol também se Levanta".
    Beijos e obrigada!
    Suely

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  2. Nossa, Suely, que legal saber disso. 'Paris é Uma Festa' é um livro delicioso. E se você ler 'O Sol Também se Levanta' imediatamente depois, a festa vai continuar, primeiro na Cidade Luz e depois em Pamplona. Bjs e obrigada por curtir o meu blog.

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  3. Fran,as suas contribuições são fundamentais para elevar o nivel cultural dos amigos, obrigado por apresentar Hemingway.
    Abraço Giba

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