"Singularidades de uma Rapariga Loura"

O conto de Eça de Queiroz, escrito em 1873 e publicado em 1901, foi a base para o filme "Singularidades de uma rapariga loura", dirigido pelo cineasta português, Manoel de Oliveira.

Pôster do filme em exibição no Brasil.
Personagem principal, Macário conta para uma desconhecida sobre as suas desventuras amorosas com Luisa, a singular rapariga loura.

Para apreciar a criação de Oliveira, aconselho que leia antes o texto de Queiroz. Conto e filme são repletos de frases muito curtas, o que, na telona, causa um efeito de lentidão no desenrolar da narrativa. Se você ler o texto com antecedência, vai compreender melhor o filme de Oliveira.


Os lugares citados e mostrados em "Singularidades..." - Minho, Algarve, Lisboa e Cabo Verde - dão vida à história. Acompanhe comigo:

Num trem para o Algarve, Macário conta a sua desventura amorosa para uma desconhecida, num ato de desabafo. Se prestassem atenção à paisagem, teriam apreciado lugares muito bonitos. Mas, quem se preocupa com isso quando está sofrendo por paixão?

Macário conta para a desconhecida do trem que, depois de  observar a loura através da janela do seu escritório, ele consegue, finalmente, encontrar-se e falar com ela: Luisa. A paixão pela rapariga passa a consumir o nosso herói.
  
Num ato de coragem, Macário pede a permissão do tio para casar. Ele ouviu um 'não' e eu fiquei encantada com os azulejos portugueses da parede desta residência.
  
Desempregado, Macário aceita um trabalho em Cabo Verde, para onde vai com o sonho de fazer fortuna e voltar à Lisboa para casar com Luisa.

Retornando à capital portuguesa, Macário consegue o perdão do tio e a mão da rapariga loura... daí até o altar é que a coisa se complica para o nosso herói.

Depois de lutar contra tudo (falta de recursos financeiros, o tempo e a distância geográfica do seu amor) e contra todos (o seu tio, o amigo que lhe passa um calote...) para conseguir casar com a paixão da sua vida, Macário descobre um outro lado de Luisa que o deixa aturdido e decepcionado, fazendo com que ele termine o noivado. Para acabar com o sofrimento do sobrinho, o tio o envia para umas férias no Algarve.

Quando se curar da tristeza da perda da rapariga loura, Macário vai aproveitar, com certeza, as belezas naturais das praias de Algarve, um balneário português muito bem frequentado no verão europeu.

No conto de Eça de Queiroz, a narrativa de Macário acontece numa estalagem da belíssima região do Minho. Com tanta tranqüilidade e acesso ao vinho, ele demoraria para sair da tristeza. Achei prudente Manoel de Oliveira enviá-lo para o Algarve, um ambiente mais descontraído e cheio de raparigas - loiras, morenas, ruivas, negras - para distraí-lo e ajudá-lo a se recuperar da sua decepção amorosa.
Qual poderia ser a moral dessa história? Para mim, é simples:
"Quem vê cara, não vê coração".


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