Rio de Janeiro, Jô Soares e Sherlock Holmes

Você já conheceu um livro que tivesse a capacidade de se transformar num 'divisor de águas' na sua vida literária? Eu conheci e ele atende pelo título de "O Xangô de Baker Street".

Capa do livro
Comecei a agradável tarefa de ler a obra de Jô Soares no dia 20 de janeiro de 1996 e, menos de 24 horas depois, eu já havia concluído a sua leitura. "O Xangô´..." é fantástico e os motivos são muitos:


  • Nunca ri tanto antes... ri tanto que chorei. A narrativa toda é muito divertida, com destaque para a passagem em que Watson recebe uma pomba gira: é de fazer doer a barriga!!!
  • A forma como Jô Soares descreve o Rio de Janeiro de 1886 é sublime: o Rossio, a Praça da Constituição, o Catete, o Jóquei Clube, e muitas outras locações. Porém, é a rua do Ouvidor, onde Jô localiza a livraria 'Recanto de Afrodite', que chama minha atenção. Na maioria das minhas visitas ao Rio fiz questão de almoçar naquela rua somente para ter o prazer de estar em um dos cenários mais elegantes dos tempos do Império.
Rua do Ouvidor do século XIX
  • Depois de "O Xangô..." me interessei pela literatura de Conan Doyle. Li todas as aventuras de Sherlock Holmes e até visitei a casa-museu, localizada no famoso endereço londrino: o 212-b da Baker Street.
Influência de Jô Soares na minha visita à Londres

Somente quando li "Os Maias", de Eça de Queirós, entendi a brincadeira de Jô com as suas personagens, que se vestiam no melhor estilo europeu (preto total em pleno calor dos trópicos), dominavam o francês (chique a valer...), frequentavam saraus, recitavam poesias e não saiam do teatro a fim de ver a talentosa Sarah Bernhardt, em cartaz no Brasil de então. Faz sentido: o momento histórico é o mesmo e D.Pedro II morava no Rio, capital do país naquela época.


O filme - baseado no livro - é tão divertido quando a obra literária. Lançado em 1999 e sob direção de Miguel Faria Junior, ele conta com a participação dos atores portugueses Joaquim de Almeida (como Holmes) e de Maria de Medeiros (como Bernhardt). Eu soube que parte do filme foi rodado na cidade do Porto. É possível que eu volte a assistí-lo somente para descobrir quais delas foram ambientadas em terras portuguesas.

Fotos: divulgação

Na telona, o caro Watson é representado por Anthony O´Donnell, que honra o papel que dá origem ao título,além de roubar as cenas em que aparece. Os nossos brasileiros também fazem bonito: Marco Nanini (como Mello Pimenta) e Claudio Marzo (como D. Pedro II) estão muito divertidos.

Jô Soares não tem ideia de como influenciou as minhas escolhas literárias e roteiros de viagens após a leitura de seu livro! Os outros romances - divertidíssimos - do apresentador, escritor e dramaturgo carioca são igualmente recomendáveis: "O homem que matou Getúlio Vargas" e "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras". É ler para rir a valer!

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